Goiânia amplia metronização para acelerar viagens de ônibus

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A Prefeitura de Goiânia pretende ampliar o sistema de metronização do transporte coletivo para aproximadamente 240 quilômetros de vias da capital. A proposta, apresentada pelo prefeito Sandro Mabel, busca reduzir o número de paradas dos ônibus nos cruzamentos, aumentar a velocidade dos veículos e tornar as viagens mais rápidas e previsíveis para os passageiros.

A tecnologia utiliza sensores instalados nos ônibus e nos corredores de transporte, além de semáforos inteligentes e informações em tempo real. A partir dos dados coletados, o sistema consegue ajustar a operação dos sinais de trânsito para favorecer a passagem dos coletivos e melhorar a fluidez dos corredores.

O Eixo Norte-Sul está entre os próximos trechos que deverão receber a tecnologia. A previsão é que a metronização comece a funcionar na região a partir de setembro. A expansão faz parte de uma estratégia da administração municipal para melhorar o desempenho do transporte público por meio do uso de tecnologia e da coordenação dos semáforos.

Segundo dados apresentados pela Prefeitura, os resultados já observados no BRT Leste-Oeste indicam redução significativa nas interrupções durante as viagens. Antes da implantação do sistema, os ônibus chegavam a parar em cerca de 52% dos cruzamentos. Com a metronização, a expectativa passou a ser de passagem com sinal verde em aproximadamente 90% dos cruzamentos.

A mudança também refletiu na velocidade média dos veículos. Nos corredores que receberam a tecnologia, os ônibus passaram de uma média próxima de 16 km/h para cerca de 21 km/h. Em determinados trechos do Eixo Anhanguera, a redução no tempo de deslocamento chegou a aproximadamente 15 a 20 minutos.

Outro resultado destacado pela administração municipal está relacionado à quantidade de paradas. No trajeto entre o Novo Mundo e o Padre Pelágio, no BRT Leste-Oeste, os ônibus chegavam a interromper a viagem até 30 vezes. Após a implantação do sistema, esse número caiu para, no máximo, oito paradas, de acordo com os dados divulgados pela Prefeitura.

A conclusão da metronização dos cinco quilômetros finais do BRT Leste-Oeste, dentro de Goiânia, ocorreu em agosto. O trecho passou a contar com 22 semáforos integrados ao sistema, além de equipamentos de suporte para manter o funcionamento dos sinais mesmo em situações de interrupção de energia.

Com a conclusão dessa etapa, a tecnologia passou a abranger todo o percurso do BRT Leste-Oeste localizado dentro da capital. O corredor liga regiões importantes da cidade e tem papel estratégico no deslocamento diário de milhares de passageiros.

Um dos principais objetivos da Prefeitura é fazer com que a redução no tempo das viagens tenha impacto também na oferta de ônibus. A lógica é que, ao realizar os trajetos em menos tempo, os veículos possam completar mais viagens durante o mesmo período. Dessa forma, a administração municipal espera melhorar a frequência do transporte e diminuir a lotação dos coletivos.

A proposta de expansão para 240 quilômetros representa uma aposta em soluções tecnológicas para enfrentar problemas históricos da mobilidade urbana de Goiânia. Em vez de depender exclusivamente de grandes obras de infraestrutura, a gestão municipal pretende utilizar a integração entre semáforos, sensores, inteligência artificial e monitoramento do trânsito para aumentar a eficiência dos corredores existentes.

A metronização funciona, na prática, como uma forma de dar prioridade aos ônibus nos cruzamentos. O sistema acompanha a movimentação dos veículos e as condições do trânsito para definir a melhor estratégia de funcionamento dos sinais. Com isso, busca-se criar uma sequência de semáforos favorável à circulação dos coletivos.

Outra novidade prevista para as próximas etapas é a instalação de um velocímetro destinado aos motoristas dos ônibus. O equipamento deverá indicar aos condutores a velocidade recomendada em determinado momento, ajudando os veículos a manter o ritmo estabelecido pelo sistema e aumentando as chances de encontrar os sinais abertos.

A medida pretende reduzir ainda mais as paradas desnecessárias. Quando um ônibus consegue manter uma velocidade adequada ao sincronismo dos semáforos, a tendência é que atravesse mais cruzamentos sem precisar interromper a viagem.

O sistema, entretanto, possui uma limitação territorial. A metronização implantada pela Prefeitura de Goiânia atende os trechos localizados dentro dos limites da capital. Por isso, partes dos corredores que seguem para municípios da Região Metropolitana, como Trindade, Senador Canedo e Goianira, não estão incluídas na atual implantação.

A iniciativa também despertou interesse fora do Brasil. No fim de agosto, uma comitiva de Portugal esteve em Goiânia para conhecer o funcionamento da tecnologia e acompanhar de perto a operação do sistema. A visita ocorreu no contexto de uma troca de experiências sobre soluções de mobilidade urbana e transporte coletivo.

A estratégia de Goiânia combina diferentes recursos. Além dos semáforos inteligentes, o modelo utiliza sensores, comunicação em tempo real e monitoramento da circulação dos ônibus. O objetivo é transformar os dados produzidos diariamente pelo sistema de transporte em informações capazes de orientar decisões instantâneas no trânsito.

Para os passageiros, o principal benefício esperado é a redução do tempo gasto nos deslocamentos. Uma viagem com menos paradas pode significar não apenas chegar mais rapidamente ao destino, mas também tornar os horários de chegada e saída mais previsíveis.

A previsibilidade é um dos principais desafios do transporte coletivo nas grandes cidades. Congestionamentos, semáforos descoordenados e interrupções frequentes podem aumentar significativamente o tempo de viagem. Ao priorizar os ônibus nos corredores, a metronização busca diminuir parte desses obstáculos.

A Prefeitura avalia que a expansão para 240 quilômetros poderá ampliar esses resultados para outras regiões de Goiânia. Caso o projeto avance conforme o planejado, uma parcela maior da rede de transporte coletivo poderá contar com mecanismos de sincronização semafórica e acompanhamento em tempo real.

A expansão também deverá colocar à prova a capacidade do sistema de funcionar em diferentes condições de trânsito. Cada corredor apresenta características próprias, como volume de veículos, quantidade de cruzamentos, horários de maior movimento e diferentes níveis de demanda do transporte público.

O desempenho obtido no BRT Leste-Oeste é, portanto, utilizado como referência pela administração municipal para justificar a ampliação da tecnologia. A redução das paradas e o aumento da velocidade média são apontados como sinais de que o modelo pode contribuir para melhorar a eficiência dos corredores.

O projeto faz parte de uma discussão mais ampla sobre a necessidade de tornar o transporte coletivo mais competitivo em relação ao transporte individual. Viagens mais rápidas e previsíveis podem contribuir para tornar os ônibus uma alternativa mais atrativa para quem precisa se deslocar diariamente pela cidade.

Ao mesmo tempo, os resultados da expansão dependerão da manutenção adequada dos equipamentos, da qualidade dos dados utilizados pelo sistema e da integração entre o transporte coletivo e a operação geral do trânsito.

Por enquanto, a próxima etapa anunciada é a chegada da metronização ao Eixo Norte-Sul, prevista para setembro. A partir dessa implantação, a Prefeitura poderá avaliar o comportamento da tecnologia em outro importante corredor da capital e verificar os ganhos obtidos no deslocamento dos passageiros.

A meta de alcançar 240 quilômetros mostra que a gestão municipal pretende transformar a metronização em uma das principais ferramentas de mobilidade de Goiânia. A proposta é utilizar tecnologia para reduzir paradas, aumentar a velocidade dos ônibus e aproveitar melhor a estrutura já existente.

Se os resultados obtidos nos trechos atualmente metronizados forem mantidos durante a expansão, a medida poderá representar uma mudança importante na rotina de quem utiliza o transporte coletivo na capital. A expectativa da Prefeitura é que viagens mais rápidas também contribuam para uma operação com maior frequência e menor concentração de passageiros nos veículos.

Com a ampliação planejada, Goiânia passa a apostar cada vez mais na combinação entre transporte público e tecnologia para enfrentar os desafios da mobilidade urbana. O avanço do projeto deverá ser acompanhado nos próximos meses, especialmente com a entrada do Eixo Norte-Sul no sistema e a definição das próximas áreas que receberão a metronização.

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