O candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, criticou a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 e defendeu mudanças profundas na legislação trabalhista brasileira. As declarações foram feitas durante um encontro com representantes do setor de comércio e serviços, em Brasília, onde o candidato apresentou parte de suas propostas para a economia e para o mercado de trabalho.
Renan classificou como “maluquice” a ideia de acabar com a escala 6×1 e afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende impedir o avanço da medida. Na avaliação do candidato, uma redução obrigatória da jornada poderia aumentar os custos das empresas e trazer dificuldades principalmente para setores que dependem de funcionamento contínuo, como comércio e serviços.
O debate sobre a escala 6×1 ganhou força nos últimos meses e se tornou um dos temas presentes na discussão eleitoral de 2026. O modelo atualmente permite que o trabalhador tenha uma folga a cada seis dias trabalhados, respeitando os limites previstos na legislação. A proposta de mudança busca ampliar o período de descanso e reduzir a jornada semanal.
Os defensores do fim da escala 6×1 argumentam que uma jornada menor poderia melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, proporcionando mais tempo para descanso, convivência familiar, estudos e atividades pessoais. Já os críticos da mudança afirmam que a medida poderia elevar os custos para as empresas e, dependendo do setor, exigir novas contratações ou mudanças na organização das equipes.
Renan Santos se posicionou de forma contrária à proposta e afirmou que o país deveria seguir outro caminho. Para ele, em vez de simplesmente reduzir a jornada de trabalho, seria necessário modernizar as regras que regulam as relações entre empregados e empregadores.
Durante o evento, o candidato também fez críticas à Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT. Renan afirmou que a legislação está ultrapassada e defendeu a criação de um modelo mais flexível, capaz de acompanhar as transformações ocorridas no mercado de trabalho nas últimas décadas.
Entre as ideias apresentadas está a adoção de formas de contratação baseadas nas horas efetivamente trabalhadas. A proposta pretende permitir maior flexibilidade tanto para empresas quanto para trabalhadores, principalmente diante do crescimento de novas modalidades de prestação de serviços e das mudanças provocadas pelo avanço da tecnologia.
Na visão do candidato, o mercado de trabalho atual apresenta características muito diferentes das existentes quando a CLT foi criada. Por isso, Renan defende uma reformulação das regras para permitir novas formas de contratação e reduzir o que considera excesso de burocracia nas relações trabalhistas.
Outro ponto que chamou atenção durante o encontro foi a defesa da extinção da Justiça do Trabalho. Renan afirmou que os conflitos entre trabalhadores e empregadores poderiam ser analisados pela Justiça Cível, eliminando a estrutura específica atualmente destinada às questões trabalhistas.
A proposta representa uma mudança significativa no sistema brasileiro, já que a Justiça do Trabalho possui competência própria definida pela Constituição para julgar questões relacionadas às relações de trabalho. Uma eventual extinção exigiria mudanças legislativas e constitucionais e provavelmente provocaria forte debate entre entidades empresariais, sindicatos, juristas e representantes dos trabalhadores.
Renan também defendeu alterações na forma como programas sociais são relacionados ao mercado de trabalho. O candidato afirmou que benefícios de transferência de renda deveriam estar mais conectados à criação de oportunidades para que os beneficiários possam ingressar ou retornar ao mercado formal.
Uma das ideias mencionadas é a criação de mecanismos que aproximem pessoas que recebem benefícios sociais de vagas disponíveis nas cidades. O objetivo, segundo a proposta, seria facilitar a transição entre o recebimento do auxílio e a obtenção de uma fonte própria de renda por meio do trabalho.
Durante sua participação no evento, o candidato ainda fez críticas ao Congresso Nacional e a parlamentares que defendem mudanças na jornada de trabalho. Renan afirmou que parte do Legislativo estaria preocupada com a possibilidade de perder apoio popular e citou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em suas críticas.
As propostas apresentadas pelo candidato colocam a legislação trabalhista no centro de sua campanha presidencial. Além da oposição ao fim da escala 6×1, Renan defende uma reformulação das regras de contratação, maior flexibilidade na relação entre empresas e trabalhadores e a extinção da Justiça do Trabalho.
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