A pecuária brasileira começa a passar por uma transformação importante para atender às novas exigências do mercado europeu. A União Europeia vem aumentando a pressão sobre os países fornecedores de carne para garantir maior controle sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Diante desse cenário, uma das alternativas discutidas pelo setor no Brasil é a criação e ampliação de fazendas especializadas em produzir bovinos destinados especificamente à exportação para o bloco europeu.
A mudança representa um desafio especialmente grande para a pecuária de corte. Diferentemente de setores como a avicultura e a suinocultura, nos quais a produção costuma ocorrer de maneira mais integrada e com maior controle das etapas, o gado brasileiro pode passar por diferentes propriedades durante sua vida. O animal pode ser criado em uma fazenda, passar por outra durante a recria e posteriormente seguir para uma propriedade de engorda antes de chegar ao frigorífico.
Esse longo percurso torna mais complexa a tarefa de comprovar todo o histórico sanitário do animal. Como o ciclo da pecuária bovina pode ultrapassar dois anos, é necessário manter registros detalhados sobre os procedimentos realizados, produtos utilizados e condições sanitárias durante as diferentes fases de criação.
É justamente nesse ponto que ganha força a ideia de separar parte da produção brasileira para atender exclusivamente às exigências do mercado europeu. A proposta é estabelecer sistemas de segregação, nos quais os animais destinados à União Europeia sejam acompanhados de maneira mais rigorosa e tenham seu histórico documentado desde as primeiras etapas da produção.
Segundo as informações divulgadas pela CNN Brasil, o Ministério da Agricultura homologou, em junho, um protocolo voltado à exportação de bovinos livres de antimicrobianos. A iniciativa já despertou o interesse de mais de 200 propriedades rurais, além de envolver produtores, confinamentos e empresas do setor. Para participar, os animais precisam ser produzidos dentro das regras estabelecidas e com comprovação de que não houve utilização de antimicrobianos ao longo das fases previstas no protocolo.
A medida pode abrir uma nova frente para a pecuária brasileira, mas também exige planejamento. Para que um animal esteja totalmente enquadrado em determinadas exigências europeias, é necessário iniciar o acompanhamento e a documentação com bastante antecedência. Isso ocorre justamente por causa da duração do ciclo produtivo do gado.
Uma das propostas em discussão é buscar uma alternativa que permita a certificação de determinados períodos ou lotes, em vez de exigir necessariamente uma comprovação referente a toda a vida do animal. Essa possibilidade poderia facilitar a adaptação dos produtores e, ao mesmo tempo, permitir que o Brasil apresente à União Europeia um sistema capaz de demonstrar o cumprimento das regras exigidas.
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