Reforma tributária pode aumentar competitividade do agronegócio com adoção do IVA

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A reforma tributária em curso no Brasil tem sido apontada como uma das mudanças mais profundas no sistema de impostos sobre o consumo nas últimas décadas, especialmente para setores produtivos como o agronegócio. Segundo análise publicada, a adoção do modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA)  por meio da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS)  tende a alterar de forma significativa a forma como os tributos incidem ao longo da cadeia produtiva.

No caso do agronegócio, que opera em cadeias longas e altamente integradas, envolvendo desde a produção de insumos até a exportação, a tributação atual gera efeitos cumulativos que elevam custos de forma indireta. A proposta do IVA busca justamente reduzir essa cumulatividade, permitindo maior transparência na cobrança e evitando que impostos “embutidos” se acumulem ao longo das etapas produtivas.

Outro ponto destacado é a ampliação da não cumulatividade, que permite a compensação de créditos tributários ao longo da cadeia. Na prática, isso significa que tributos pagos em etapas anteriores da produção poderão ser abatidos nas etapas seguintes, reduzindo distorções e melhorando o fluxo econômico das empresas do setor.

Além disso, a reforma também prevê tratamento diferenciado para determinados insumos agropecuários, com possibilidade de redução de alíquotas ou até isenção em alguns casos. Essa medida busca preservar a competitividade do setor, que depende fortemente do custo de insumos como fertilizantes, energia, logística e tecnologia.

Especialistas também apontam que a mudança pode trazer mais previsibilidade para o agronegócio, já que o setor trabalha com contratos de longo prazo e alta exposição a variações de custo. Um sistema tributário mais uniforme tende a reduzir incertezas na formação de preços e na tomada de decisões de investimento.

Apesar dos potenciais benefícios, o período de transição é considerado um dos principais desafios. A adaptação das empresas ao novo modelo exigirá ajustes em sistemas fiscais, contratos e gestão de créditos tributários, o que pode demandar tempo e planejamento cuidadoso.

Dessa forma, a reforma tributária é vista como um movimento estrutural que pode melhorar a competitividade do agronegócio brasileiro no médio e longo prazo, ao reduzir distorções históricas do sistema de tributação sobre o consumo e aproximar o país de modelos adotados em economias mais desenvolvidas.

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