Goiânia intensificou as ações de prevenção, diagnóstico e orientação contra a sífilis durante o Outubro Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a doença e à importância da testagem. A mobilização ocorre em um momento de atenção para os números registrados na capital: somente em 2026, foram contabilizados 2.642 casos de sífilis adquirida e 130 ocorrências de sífilis congênita, quando a infecção é transmitida da gestante para o bebê durante a gravidez ou o parto.
Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia ampliou a divulgação dos serviços disponíveis à população e programou ações de testagem gratuita em diferentes pontos da cidade ao longo do mês. A iniciativa busca facilitar o acesso ao diagnóstico e reforçar a importância da prevenção, principalmente porque a sífilis pode permanecer durante bastante tempo sem apresentar sintomas evidentes.
A programação inclui atividades de orientação e testes gratuitos para sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis. Uma das ações está prevista para o dia 8 de outubro, das 8h às 16h, no Araguaia Shopping. No dia 17, quando será celebrado o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, haverá atendimento das 8h às 12h na Avenida T-3, nas proximidades do Parque Vaca Brava, e também no Centro de Saúde São Francisco. Outra atividade está programada para o dia 22 de outubro, na região Noroeste da capital.
A estratégia adotada pelo município tem como um dos principais objetivos identificar casos que poderiam passar despercebidos. Isso porque a sífilis pode apresentar períodos sem sinais aparentes, fazendo com que uma pessoa infectada não perceba a necessidade de procurar atendimento.
A testagem periódica é, portanto, uma ferramenta importante para detectar a infecção precocemente e permitir que o tratamento seja iniciado. Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, os testes rápidos estão disponíveis gratuitamente na rede municipal e o resultado pode ser obtido em aproximadamente 30 minutos. Pessoas com resultado positivo são encaminhadas para acompanhamento e tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A sífilis é uma infecção causada pela bactéria Treponema pallidum e pode ser transmitida principalmente por meio de relações sexuais sem preservativo. Em determinadas fases, podem surgir feridas geralmente indolores, inclusive nas regiões genital, anal ou oral. Também podem aparecer manchas na pele, inclusive nas palmas das mãos e nas plantas dos pés.
Um dos desafios para o controle da doença é justamente o fato de que os sintomas podem ser discretos ou desaparecer temporariamente mesmo sem que a infecção tenha sido eliminada. Por esse motivo, a ausência de sintomas não deve ser considerada garantia de que a pessoa não esteja infectada.
Quando não é diagnosticada e tratada adequadamente, a sífilis pode evoluir e provocar complicações mais graves, incluindo problemas neurológicos e cardiovasculares. A situação exige atenção especial durante a gestação, já que a infecção pode ser transmitida da mãe para o bebê e provocar consequências importantes para a saúde da criança.
A chamada sífilis congênita pode estar associada a problemas como aborto espontâneo, parto prematuro, malformações e, em situações graves, morte do bebê. Por isso, o acompanhamento pré-natal tem papel fundamental na prevenção da transmissão.
A realização dos testes durante o pré-natal permite que eventuais casos sejam identificados e tratados o quanto antes. Além disso, o tratamento das parcerias sexuais é importante para evitar que a pessoa tratada seja novamente infectada.
Os números registrados em Goiânia mostram que o problema continua exigindo atenção das autoridades de saúde. Em 2025, a capital havia registrado 4.636 casos de sífilis adquirida e 192 casos de sífilis congênita. Os dados de 2026, por sua vez, reforçam a necessidade de manter ações de diagnóstico e prevenção ao longo do ano.
A ampliação da testagem também está alinhada a uma estratégia nacional de facilitar o diagnóstico das infecções sexualmente transmissíveis. Em setembro, o Ministério da Saúde informou a ampliação da recomendação para utilização do teste rápido Duo ou Combo para HIV e sífilis no SUS. O exame utiliza uma única amostra de sangue obtida por punção digital e permite investigar simultaneamente as duas infecções, contribuindo para agilizar o atendimento e ampliar as oportunidades de diagnóstico.
Em Goiânia, a população pode procurar unidades municipais de saúde que oferecem testes rápidos para HIV, hepatites B e C e sífilis. A rede também conta com serviços especializados para atendimento e acompanhamento dos pacientes.
A prevenção continua sendo uma das principais formas de reduzir a transmissão. O uso de preservativo, a realização periódica de testes e a busca por atendimento médico diante de qualquer suspeita são medidas importantes. Também é fundamental que pessoas que tenham recebido diagnóstico sigam corretamente o tratamento e orientem suas parcerias sexuais a procurar atendimento.
Outro ponto importante é combater o preconceito relacionado às infecções sexualmente transmissíveis. O estigma pode fazer com que pessoas evitem procurar os serviços de saúde, atrasando o diagnóstico e favorecendo a continuidade da transmissão.
A campanha Outubro Verde busca justamente ampliar o acesso à informação e mostrar que a sífilis pode ser diagnosticada e tratada. O SUS oferece gratuitamente tanto a testagem quanto o tratamento, o que permite que a população procure atendimento sem precisar arcar com os custos desses serviços.
Para as gestantes, a atenção deve ser ainda maior. O acompanhamento pré-natal deve incluir os exames recomendados e, caso a infecção seja identificada, o tratamento precisa ser realizado conforme orientação dos profissionais de saúde. O cuidado também deve envolver as parcerias sexuais para diminuir o risco de reinfecção.
Com as ações previstas para outubro, Goiânia pretende aproximar os serviços de saúde da população e estimular uma postura de prevenção. A expectativa é que a ampliação das oportunidades de testagem contribua para identificar casos de forma mais rápida e interromper cadeias de transmissão.
Mais do que uma campanha concentrada em um único mês, a mobilização reforça a necessidade de manter os cuidados durante todo o ano. A sífilis tem tratamento e cura, mas o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e reduzir os riscos de transmissão.
Diante dos mais de 2,6 mil casos de sífilis adquirida registrados em Goiânia em 2026, a orientação é que a população aproveite as oportunidades de testagem disponibilizadas pela rede pública e procure uma unidade de saúde sempre que houver dúvidas ou exposição de risco.
A informação também é uma importante ferramenta de prevenção. Conhecer as formas de transmissão, utilizar métodos de proteção e realizar exames regularmente são atitudes que ajudam a proteger a própria saúde e a de outras pessoas.
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