

A decisão do governo federal de encerrar a chamada “taxa das blusinhas” ocorre em um momento politicamente sensível, a poucos meses das eleições presidenciais de 2026. A medida, que havia sido criada em 2024 e passou a taxar em 20% compras internacionais de até US$ 50 em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress, agora é retirada como parte de um conjunto mais amplo de ações econômicas adotadas pelo governo Lula.
O imposto havia sido implementado com o argumento de equilibrar a concorrência entre o comércio nacional e as plataformas estrangeiras. No entanto, a cobrança acabou se tornando impopular entre consumidores, especialmente por atingir diretamente compras de baixo valor, feitas em grande parte por famílias de renda mais baixa. Pesquisas de opinião indicaram forte rejeição à taxa, que passou a ser vista como um dos principais pontos negativos da política tributária recente.
Ao revogar o imposto, o governo abre mão de uma arrecadação que vinha crescendo. Segundo dados da Receita Federal, apenas nos primeiros quatro meses de 2026 foram recolhidos cerca de R$ 1,78 bilhão com a taxa. Em 2025, o total chegou a aproximadamente R$ 5 bilhões. Apesar disso, integrantes do governo defendem que a decisão tem foco no consumo popular e no aumento do poder de compra da população. A medida foi apresentada pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, que destacou que a maior parte dessas compras é de pequeno valor e realizada por consumidores de menor renda, reforçando o argumento de que a mudança representa um alívio tributário para esse público.
Analistas avaliam que o impacto político da decisão pode existir, mas de forma limitada. Para especialistas em risco político, o fim da taxa pode contribuir positivamente para a imagem do governo, mas não deve ser suficiente para alterar de forma significativa a tendência de aprovação ou o cenário eleitoral. A avaliação é de que a medida funciona mais como um fator complementar dentro de um pacote maior de ações econômicas. Entre cientistas políticos, há também a leitura de que a decisão pode funcionar como uma forma de reduzir desgastes e neutralizar críticas da oposição, que associa o governo a aumento de impostos. Nesse contexto, a revogação da taxa ajudaria a diminuir a pressão sobre o tema tributário no debate público.
Por outro lado, especialistas destacam que o impacto eleitoral tende a ser limitado pela forte polarização política no país. Segundo essa visão, o comportamento do eleitorado estaria mais ligado a preferências políticas consolidadas do que a mudanças pontuais em políticas públicas. A retirada da taxa se soma a outras iniciativas do governo federal voltadas ao aumento do consumo e ao estímulo da economia em 2026. Entre elas estão medidas relacionadas ao preço dos combustíveis, ampliação de programas sociais, mudanças no Imposto de Renda e ações de incentivo ao crédito e à habitação.
Essas políticas fazem parte de um conjunto mais amplo de estratégias econômicas que também têm sido analisadas sob a ótica do impacto fiscal. Economistas alertam que, embora possam estimular a atividade econômica no curto prazo, essas ações também podem pressionar indicadores como inflação, juros e dívida pública. A discussão ocorre em um cenário de crescimento da taxa Selic, que permanece em patamar elevado após sucessivos ajustes do Banco Central. Especialistas apontam que o aumento das medidas de estímulo pode contribuir para manter a pressão sobre a política monetária.
O governo, por sua vez, defende que suas iniciativas têm como objetivo melhorar as condições de vida da população, especialmente das camadas mais vulneráveis, ao ampliar o acesso a renda, crédito e serviços básicos. Com a aproximação do período eleitoral, o conjunto dessas medidas deve continuar no centro do debate político e econômico, influenciando tanto a avaliação do governo quanto as estratégias da oposição.
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