
Entre janeiro e julho de 2025, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou mais de 86 mil denúncias de violência contra mulheres. A maioria dos agressores identificados são parceiros ou ex-parceiros das vítimas, segundo dados divulgados pelo Ministério das Mulheres nesta quinta-feira (7).
O anúncio aconteceu durante um encontro com a imprensa, em Brasília, onde também foi lançado o novo Painel de Dados do Ligue 180 – uma plataforma pública que permite visualizar estatísticas detalhadas sobre os tipos de violência, perfis das vítimas e dos agressores, bem como os contextos das ocorrências.
Novo painel interativo fortalece ações de enfrentamento
A apresentação do painel marca os 19 anos da Lei Maria da Penha e integra a campanha Agosto Lilás, cujo lema neste ano é: “Não deixe chegar ao fim da linha. Ligue 180.”
Segundo a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o acesso a dados qualificados é essencial para a formulação de políticas públicas mais eficazes. “Precisamos entender e estudar os números para desenvolver estratégias que realmente enfrentem o problema da violência contra as mulheres”, afirmou.
Desde 2024, o Ligue 180 passou a registrar atendimentos por diferentes canais: telefone, e-mail, WhatsApp e até videochamada em Libras, garantindo acessibilidade para mulheres com deficiência auditiva.
Perfil das vítimas e dos agressores
O levantamento revela que a maioria das vítimas é heterossexual (57,7%) e negra (44,3%). Já os agressores mais frequentemente identificados também são heterossexuais (49,2%) e negros (41,4%). Em quase metade das denúncias (47,5%), o agressor é parceiro ou ex-parceiro da vítima.
A violência física continua sendo a mais recorrente, presente em 41,4% dos casos. Também foram relatadas violências psicológicas (27,9%) e sexuais (3,6%). Os dados ainda mostram que muitos casos acontecem dentro da casa da vítima (40,7%) ou em domicílios compartilhados com o agressor (28,2%).
Outro dado alarmante é que muitas mulheres convivem com a violência por longos períodos antes de denunciarem. Em quase 22% dos casos, a violência já ocorria há mais de um ano. Em 9%, o ciclo violento ultrapassava cinco anos.
Transparência e territorialização das políticas
A coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen dos Santos Costa, explicou que os dados reunidos pela central são fundamentais para orientar as políticas públicas. “Nosso objetivo é oferecer um retrato fiel da violência de gênero no Brasil e auxiliar no direcionamento mais eficaz dos recursos e das ações de enfrentamento.”
Além do Painel de Dados do Ligue 180, o ministério também disponibilizou um Painel da Rede de Atendimento à Mulher, com informações sobre delegacias especializadas, casas de acolhimento, promotorias, juizados e outros serviços voltados à proteção das vítimas.
A ministra Márcia Lopes reforçou a importância da adesão ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, que tem como um de seus objetivos fortalecer a articulação entre os governos para garantir uma resposta mais rápida e eficaz às denúncias. Atualmente, apenas 14 estados assinaram acordos de cooperação técnica com o governo federal.
Ela também destacou a necessidade de que estados e municípios criem estruturas específicas para tratar das políticas públicas para mulheres. “Não basta uma campanha pontual. É preciso estrutura, gestão e compromisso permanente com a causa”, disse.
Ligue 180: como funciona
O serviço Ligue 180 é gratuito, sigiloso e está disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana. Ele oferece acolhimento, orientação e registro de denúncias para mulheres em situação de violência.
As denúncias podem ser feitas de qualquer local do Brasil. Para quem está no exterior, é possível acessar o atendimento via WhatsApp, no número (61) 9610-0180. O serviço está disponível em português, inglês, espanhol e Libras.
Em casos de emergência imediata, a orientação é entrar em contato com a Polícia Militar, pelo número 190.
Fonte – Agencia Brasil
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