A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) ampliou as ações de prevenção e preparação da rede pública de saúde diante dos possíveis impactos provocados pelo El Niño durante o ciclo 2026-2027. A preocupação das autoridades está relacionada principalmente à possibilidade de períodos de calor intenso, baixa umidade do ar, aumento das queimadas e crescimento de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
O planejamento apresentado pelo Estado busca antecipar medidas para reduzir os efeitos das condições climáticas sobre a população e evitar que situações semelhantes às registradas em anos anteriores voltem a provocar pressão sobre os serviços de saúde. Em 2024, Goiás enfrentou um cenário de elevada circulação de arboviroses, entre elas dengue, zika e chikungunya.
A estratégia envolve a preparação dos municípios para diferentes situações de risco. As administrações locais devem avaliar as características de cada região e manter os estoques necessários para atender a população em períodos de maior demanda. Também estão previstas medidas relacionadas à disponibilidade de medicamentos e produtos destinados à hidratação, funcionamento adequado das unidades de saúde, abastecimento de água e conservação de vacinas e outros imunobiológicos, especialmente diante da possibilidade de interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Outro ponto de atenção é o combate aos criadouros do Aedes aegypti. A orientação das autoridades é que os moradores façam inspeções frequentes em suas casas e quintais, preferencialmente a cada cinco dias, eliminando recipientes e locais que possam acumular água. A medida é considerada importante para reduzir a proliferação do mosquito e, consequentemente, diminuir o risco de novos surtos de dengue, zika e chikungunya.
As altas temperaturas também representam uma preocupação para a saúde. O calor excessivo pode favorecer quadros de desidratação e estresse térmico, além de agravar problemas cardiovasculares, renais e respiratórios.
Por isso, a recomendação é aumentar a ingestão de água ao longo do dia e evitar exposição prolongada ao sol nos períodos de maior temperatura. Atividades físicas intensas e trabalhos realizados ao ar livre devem ser reduzidos, principalmente entre 10h e 16h, quando o calor tende a ser mais intenso.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas que já possuem algum problema de saúde precisam receber atenção especial durante os períodos de calor extremo. Esses grupos podem apresentar maior vulnerabilidade às alterações provocadas pelas temperaturas elevadas e pela baixa umidade.
O ar mais seco também pode causar desconforto e irritação nos olhos e nas vias respiratórias. Além disso, a combinação entre baixa umidade e altas temperaturas pode contribuir para o agravamento de doenças respiratórias e favorecer o surgimento de outros problemas de saúde.
As queimadas são outro fator que exige atenção durante períodos de estiagem e tempo seco. A fumaça proveniente dos incêndios pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como tosse, dor de cabeça e dificuldade para respirar.
Pessoas que já apresentam doenças respiratórias ou cardiovasculares podem sofrer ainda mais com a exposição à fumaça. Por isso, a recomendação é evitar áreas onde exista concentração de fumaça e reduzir a permanência ao ar livre quando a qualidade do ar estiver prejudicada.
Quando não for possível evitar a exposição, a orientação da área da saúde é utilizar máscaras com maior capacidade de filtragem, como os modelos PFF2 ou N95.
A população também deve ficar atenta às orientações dos órgãos responsáveis pela segurança durante situações de incêndio. Em casos de emergência, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo telefone 193 e a Defesa Civil pelo 199. Incêndios florestais também podem ser comunicados à Brigada do Corpo de Bombeiros pelo número (62) 98494-0268. Já situações de emergência médica devem ser encaminhadas ao Samu, pelo 192.
Diante da possibilidade de um período marcado por condições climáticas mais severas, as autoridades reforçam que a prevenção depende não apenas das ações do poder público, mas também da participação da população.
Manter os ambientes limpos, eliminar recipientes que possam acumular água, manter uma boa hidratação, evitar exposição desnecessária ao calor intenso e ficar longe de áreas atingidas por fumaça são atitudes simples que podem ajudar a reduzir riscos.
A preparação antecipada da rede de saúde busca garantir que os municípios tenham condições de responder rapidamente a eventuais aumentos na procura por atendimento. A intenção é fortalecer a capacidade de prevenção e atendimento antes que os possíveis impactos climáticos provoquem uma sobrecarga nos serviços.
Com a aproximação de um período que pode apresentar temperaturas elevadas, baixa umidade e maior ocorrência de queimadas, a orientação é que a população acompanhe os alertas dos órgãos oficiais e adote medidas preventivas no dia a dia. O cuidado antecipado pode fazer diferença para proteger principalmente as pessoas mais vulneráveis e reduzir os impactos dos eventos climáticos sobre a saúde dos goianos.
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