A consultoria Copenhagen, empresa para a qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu notas fiscais que somavam R$ 1 milhão e posteriormente foram canceladas, entrou em processo de liquidação. A decisão de encerrar as atividades foi aprovada pelo único acionista da companhia e registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).
A dissolução voluntária foi aprovada em uma assembleia realizada em 28 de julho e o registro do procedimento ocorreu em 17 de agosto. Com a medida, a empresa passa pelo processo formal de encerramento de suas atividades.
O caso ganhou atenção porque a Copenhagen aparece em investigações da Polícia Federal relacionadas ao chamado caso Master. A empresa é apontada nas apurações como parte de movimentações financeiras que levantaram suspeitas de possível ocultação de patrimônio.
Segundo informações divulgadas na imprensa, a Copenhagen recebeu cerca de R$ 58 milhões do banco ligado ao empresário Daniel Vorcaro, instituição que posteriormente sofreu intervenção do Banco Central. Parte significativa desse dinheiro teria sido movimentada pouco depois da abertura da empresa, em novembro de 2024.
As movimentações financeiras passaram a ser analisadas pelas autoridades justamente por causa da velocidade com que valores elevados circularam pela companhia e pelas relações mantidas entre os envolvidos.
No centro da repercussão também está a relação comercial entre Flávio Bolsonaro e a Copenhagen. Documentos mostraram que o escritório de advocacia do senador emitiu duas notas fiscais que totalizavam R$ 1 milhão para a consultoria. Posteriormente, os documentos foram cancelados.
Além dessas notas, também houve uma emissão de R$ 500 mil para a Contábil Corrêa, outra empresa ligada ao empresário Rogério Lourenço Novo, apontado como responsável pela Copenhagen.
Quando o caso veio a público, Flávio Bolsonaro afirmou que havia prestado serviços advocatícios de forma lícita e dentro da esfera privada. O senador também declarou que os serviços estavam relacionados à sua atividade profissional como advogado.
A situação ganhou novo capítulo após uma reportagem verificar o endereço informado pela Copenhagen à Receita Federal. No local indicado como sede da consultoria, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, funcionava a Contábil Corrêa, empresa pertencente ao mesmo empresário.
Poucos dias depois da visita da reportagem ao endereço, a Copenhagen teve sua dissolução aprovada. A empresa passou, então, a uma etapa de liquidação, processo no qual são encerradas as atividades e realizados os procedimentos necessários para finalizar formalmente a companhia.
O empresário Rogério Lourenço Novo foi nomeado liquidante da Copenhagen, ficando responsável por conduzir o processo de encerramento. Ele também participou da assembleia que aprovou a dissolução da empresa.
A investigação sobre a companhia está inserida em um contexto mais amplo de apurações envolvendo o Banco Master e operações financeiras consideradas suspeitas pelas autoridades. A Polícia Federal procura esclarecer a origem, o destino e a finalidade de diferentes movimentações realizadas por empresas e pessoas relacionadas ao caso.
Entre os pontos analisados está justamente a transferência de recursos para companhias que, posteriormente, realizaram operações com outras empresas ou pessoas. A Copenhagen passou a chamar atenção dos investigadores por ter recebido valores elevados pouco tempo depois de sua criação.
A empresa havia sido aberta em novembro de 2024 e, de acordo com informações divulgadas sobre a investigação, tinha capital social inicial bastante reduzido em comparação com os valores que posteriormente passaram por suas contas.
A dissolução da Copenhagen, por si só, não significa que tenha sido comprovada qualquer irregularidade por parte da empresa ou de seus responsáveis. O encerramento de uma companhia pode ocorrer por diferentes razões e não representa automaticamente uma conclusão sobre as investigações.
Da mesma forma, a emissão e posterior cancelamento das notas fiscais relacionadas a Flávio Bolsonaro não comprovam, isoladamente, a existência de qualquer crime. O senador afirma que os serviços foram prestados de maneira legal e que sua atuação ocorreu no âmbito privado.
A gestora Trustee, responsável pela administração do fundo Estônia Multiestratégia, que aparece como acionista da Copenhagen, também declarou não fazer parte da administração da empresa nem ter ingerência sobre sua gestão. Apesar disso, um contato eletrônico relacionado à gestora aparece cadastrado junto à Receita Federal como endereço eletrônico da consultoria.
Com a entrada da Copenhagen em liquidação, o processo agora deverá seguir os procedimentos necessários para o encerramento oficial da companhia. Paralelamente, as investigações sobre as movimentações financeiras relacionadas ao caso Master continuam.
O episódio reúne questões envolvendo relações empresariais, emissão e cancelamento de documentos fiscais e movimentações milionárias que passaram a ser examinadas pelas autoridades. A Polícia Federal ainda deverá avançar na análise dos documentos e demais elementos reunidos para esclarecer se houve irregularidades e qual teria sido a responsabilidade de cada pessoa ou empresa envolvida.
Enquanto as investigações não forem concluídas, as suspeitas permanecem sob apuração. Eventuais responsabilidades deverão ser definidas pelas autoridades competentes a partir das provas reunidas durante o processo
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