Quase 80% dos brasileiros diagnosticados com câncer de cabeça e pescoço descobrem a doença apenas em estágios avançados, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Esse cenário preocupa especialistas, já que o diagnóstico tardio reduz as chances de cura, exige tratamentos mais complexos e pode comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
A campanha Julho Verde, realizada anualmente, busca conscientizar a população sobre a importância de reconhecer os primeiros sinais da doença e procurar atendimento médico o quanto antes. Entre os principais sintomas de alerta estão feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dor de garganta prolongada, dificuldade para engolir, manchas na cavidade oral e o surgimento de caroços no pescoço.
De acordo com o oncologista Carlos Tadeu Garrote, do Hospital Mater Dei Goiânia, muitas pessoas acabam ignorando esses sintomas por acreditarem que se tratam de problemas passageiros. No entanto, quando qualquer um desses sinais permanece por mais de duas semanas, é fundamental buscar avaliação médica para que seja feita uma investigação adequada.
O especialista explica que o câncer de cabeça e pescoço reúne tumores que podem atingir diferentes regiões, como boca, língua, garganta, faringe, laringe e outras estruturas da cabeça e do pescoço. Embora o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas continuem sendo os principais fatores de risco, a infecção pelo HPV também tem contribuído para o aumento do número de casos, especialmente entre pessoas mais jovens.
Segundo o médico, identificar a doença em seus estágios iniciais faz toda a diferença no sucesso do tratamento. Quando o câncer é descoberto precocemente, as chances de cura aumentam de forma significativa e os procedimentos tendem a ser menos agressivos, preservando funções importantes como a fala, a alimentação e a qualidade de vida do paciente.
O tratamento da doença exige uma abordagem multidisciplinar. No Hospital Mater Dei Goiânia, os pacientes contam com acompanhamento integrado de diversos especialistas, incluindo oncologistas, cirurgiões de cabeça e pescoço, radioterapeutas, radiologistas, patologistas, nutricionistas e fonoaudiólogos. Esse trabalho conjunto permite definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada caso, oferecendo um atendimento mais completo e personalizado. Os profissionais de saúde reforçam que nem toda ferida na boca, rouquidão ou caroço no pescoço significa necessariamente um câncer. No entanto, sintomas persistentes nunca devem ser ignorados. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores serão as possibilidades de tratamento eficaz e recuperação.
A campanha Julho Verde também chama a atenção para a prevenção. Evitar o cigarro, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, manter uma boa higiene bucal, adotar hábitos saudáveis e se proteger contra o HPV são medidas importantes para diminuir o risco de desenvolver esse tipo de câncer. A principal mensagem dos especialistas é clara: prestar atenção aos sinais do corpo e procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes pode fazer toda a diferença. O diagnóstico precoce continua sendo a ferramenta mais importante para aumentar as chances de cura e garantir um tratamento menos invasivo.
O post Diagnóstico tardio dificulta tratamento do câncer de cabeça e pescoço apareceu primeiro em Sucesso Notícias.







