
Crescimento nas emergências envolvendo motociclistas provoca atrasos em cirurgias eletivas no SU
As unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) têm enfrentado dificuldades para manter a agenda de cirurgias eletivas de alta complexidade, devido ao aumento dos atendimentos emergenciais de vítimas de acidentes com motocicletas. Um dos principais centros de referência, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), tem priorizado cirurgias urgentes de trauma ortopédico, o que tem levado ao adiamento dos procedimentos programados.
Em 2024, o Into deixou de realizar cerca de 1.450 cirurgias eletivas por conta da necessidade de atendimento emergencial, sendo que 20% dessas emergências envolveram vítimas de acidentes de moto. Segundo o instituto, cada cirurgia urgente faz com que até cinco cirurgias agendadas sejam postergadas, evidenciando o impacto da crescente demanda por atendimento emergencial.
Dados do Ministério da Saúde revelam que, entre 2010 e 2023, mais de 1,4 milhão de motociclistas foram hospitalizados após acidentes de trânsito, representando mais da metade (57,2%) das internações relacionadas a lesões no trânsito no país. Os pedestres são a segunda maior categoria hospitalizada, seguidos por motoristas e passageiros de veículos.
Os custos associados às internações de motociclistas ultrapassam os R$ 2 bilhões, mais da metade do gasto total com vítimas de trânsito no sistema hospitalar público. Além disso, uma pesquisa recente indica que cerca de 21% das vítimas atendidas em unidades de pronto atendimento eram trabalhadores de aplicativos, com números ainda maiores em cidades como São Paulo e Belo Horizonte.
No primeiro semestre de 2025, o Into registrou um aumento nos atendimentos a vítimas graves de acidentes, com uma média de cinco cirurgias de alta complexidade por semana. A diretora-geral do instituto, Germana Lyra Bahr, destaca que esse crescimento tem alterado significativamente a programação das cirurgias eletivas, que são essenciais para pacientes que aguardam procedimentos ortopédicos.
Além do impacto no cronograma, as cirurgias de urgência geralmente demandam mais recursos e tempo de internação, já que pacientes vítimas de acidentes frequentemente apresentam complicações, como infecções e múltiplas lesões. Enquanto cirurgias eletivas podem resultar em internações curtas, as vítimas de acidentes têm períodos de hospitalização muito mais longos e processos de reabilitação extensos.
O aumento das emergências coloca ainda mais pressão sobre o sistema de saúde, que já enfrenta desafios com o envelhecimento da população e a crescente demanda por tratamentos ortopédicos. Segundo a diretora, o problema não está apenas na falta de orçamento, mas também na capacidade limitada de atendimento, com a necessidade de profissionais especializados.
Profissionais como a terapeuta ocupacional Martha Menezes Lucas ressaltam que a maioria dos pacientes atendidos apresenta lesões graves que comprometem a qualidade de vida e a capacidade laboral, especialmente entre trabalhadores informais que não têm suporte previdenciário. O impacto social e econômico dessas lesões é significativo, afetando não só os pacientes, mas também suas famílias e comunidades.
Fonte – Agencia Brasil
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