Sessão do STF expõe racha total entre ministros com troca de acusações

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O Supremo Tribunal Federal realizou nesta terça-feira, 15, a sessão mais conturbada dos últimos anos e terminou com o racha entre os ministros completamente exposto para todo o país. O que deveria ser um julgamento técnico sobre a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes virou um palco de acusações pessoais, gritos e ofensas ao vivo.

O caso gira em torno do relatório da Polícia Federal que aponta 52 mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e que poderia levar à investigação do ministro. O relator do caso Master, André Mendonça, foi quem tornou o relatório público.Logo na abertura, o presidente Edson Fachin tentou dar um tom institucional e disse: “Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo menor do que aquele que recebemos”, lembrando que a Corte vive um dos períodos mais difíceis da sua história.

Mas a tentativa não funcionou.A primeira baixa foi o ministro Kassio Nunes Marques, que se declarou impedido após ter o nome e o do seu filho citados em mensagens do celular de Vorcaro sobre pagamentos de R$ 500 mil. Ele se levantou e saiu do plenário. Dias Toffoli fez o mesmo, se declarando suspeito por foro íntimo, embora tenha ficado na sessão.O ponto de explosão foi uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, que queria que os casos de Moraes e de Mendonça fossem julgados juntos no dia 23.

Moraes defendeu a união dos processos e disse ter testemunhas de que Mendonça teria pressionado a PF para incluir o nome dele na delação do banqueiro.Mendonça perdeu a paciência e gritou “Mentira! Mentira!” no meio do plenário. Sentados lado a lado, os dois protagonizaram a cena mais tensa do dia.Gilmar Mendes também entrou na briga e acusou Mendonça de agir com motivação político-eleitoral e disse que “até a máfia tem ética”, criticando a forma como o relatório da PF foi conduzido.

Moraes ainda acusou Mendonça de produzir provas com “auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro”.No meio da confusão, Moraes provocou: “Quem tem medo da Polícia Federal?” e lembrou das sanções impostas pelos Estados Unidos contra ele em 2025 por causa do julgamento de Jair Bolsonaro.

O clima ficou insustentável. A única mulher da Corte, ministra Cármen Lúcia, pediu desculpas aos brasileiros: “Houve uma espetacularização desta sessão. Que não faz mal apenas ao Supremo nem ao Poder Judiciário, faz mal ao país. O país espera de nós uma tranquilidade que nós não conseguimos dar”.Sem condições de continuar votando, o ministro Flávio Dino pediu vista e interrompeu a sessão. Ele disse: “Nós estamos em termos que degradam a imagem do tribunal. Eu tenho que interromper esta situação”. Com isso, o julgamento foi adiado por até 90 dias, deixando o STF paralisado, dividido e com sua imagem abalada às vésperas das eleições, enquanto do lado de fora centenas de manifestantes gritavam “Fora Moraes” com segurança reforçada por drones e helicóptero.

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