“Somos seres humanos, podemos errar”, diz Fachin ao abrir julgamento no STF

"Somos seres humanos, podemos errar", diz Fachin ao abrir julgamento no STF"Somos seres humanos, podemos errar", diz Fachin ao abrir julgamento no STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, abriu na manhã desta terça-feira, 15 de setembro, a sessão extraordinária histórica que vai decidir se o STF abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por supostas mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, com uma mensagem de humildade e um recado para dentro da Corte.Logo no início do discurso, transmitido ao vivo pela TV Justiça, Fachin afirmou: “Somos seres humanos, podemos errar”. A frase deu o tom de um pronunciamento que pregou autolimitação do Supremo, transparência e respeito ao devido processo legal.Fachin assumiu a relatoria dos dois casos que levaram o STF à sua maior crise institucional dos últimos anos e centralizou as decisões em seu gabinete.

Ele retirou do ministro André Mendonça a Petição 16.662, que trata do relatório da Polícia Federal com as conversas atribuídas a Moraes e Vorcaro, e revogou a portaria que colocava Moraes como relator do inquérito das fake news. Segundo ele, era preciso restabelecer a ordem procedimental após uma sucessão de decisões monocráticas que geraram sobreposição.Em seu discurso, Fachin defendeu a criação de um código de conduta para o STF, ideia que ele já havia defendido no início do ano judiciário. Para o ministro, o tribunal chegou a um momento de maturidade para ter regras claras.”Todos nós somos seres humanos falíveis. Portanto, a vida não é uma vida de impecabilidade. Todos nós temos circunstâncias. Eu, por exemplo, tenho uma filha que é advogada.

Mas a regra deve ser a transparência. Tudo sobre a mesa”, afirmou Fachin, em referência ao debate sobre parentes de ministros advogarem no Supremo. Ele disse ser contra a “filhofobia” e defendeu que não é preciso que o filho mude de profissão quando o pai vira juiz, mas que tudo precisa ser transparente.Fachin também mandou um recado sobre pressões externas e sobre impeachment de ministros. Para ele, o avanço de um pedido de impeachment contra um ministro significaria “uma crise institucional muito grave” e o Supremo tem condições de tirar aprendizados da crise atual e resolver internamente.”Até porque, ou nós encontramos um modo de nos autolimitarmos, ou poderá haver eventualmente uma limitação que venha de algum poder externo, e não creio que o resultado seja bom, haja vista o que aconteceu na Polônia, na Hungria, no México”, disse.A fala ocorre em meio ao julgamento mais delicado de sua presidência.

O plenário com nove ministros – Moraes e Dias Toffoli estão impedidos – vai decidir primeiro se anula os atos de André Mendonça, como pediu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que apontou irregularidade por Mendonça ter pedido relatório à PF sem aval do Ministério Público. Se os atos forem validados, o plenário decide se abre investigação contra Moraes.Em decisão no sábado, dia 12, Fachin negou pedido de Moraes para julgar juntos os dois processos. Ele manteve o julgamento de Moraes para esta terça, 15, e marcou o julgamento do pedido de investigação contra Mendonça, feito por Moraes por suposto abuso de autoridade, para o dia 23 de setembro. Segundo analistas da CNN Brasil, a divisão foi uma tentativa de poupar a instituição e evitar um embate direto no mesmo plenário.A sessão desta terça começou com público restrito, celulares lacrados e forte esquema de segurança, reflexo do clima tenso que vive o STF desde que o sigilo do relatório da PF foi retirado por Mendonça no dia 1º de setembro.

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