Saúde de Goiânia ganha novo modelo de atendimento

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A proposta de implantação de um serviço de telemedicina na rede pública de Goiânia recebeu apoio do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), mas a entidade reforçou a necessidade de critérios técnicos e cuidados para evitar que pacientes com quadros mais graves sejam avaliados de forma inadequada.

A iniciativa da Prefeitura de Goiânia tem como principal objetivo reduzir a sobrecarga nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), direcionando para o atendimento remoto pacientes com problemas considerados de menor complexidade. A expectativa do município é diminuir filas e melhorar o fluxo das unidades presenciais, permitindo que os casos realmente urgentes tenham atendimento mais rápido.

Segundo o Simego, a telemedicina pode ser uma ferramenta importante para desafogar o sistema de saúde, principalmente quando utilizada em situações adequadas, como orientações médicas, renovação de receitas e atendimentos de pacientes classificados como casos de baixa gravidade. No entanto, a entidade destaca que a tecnologia precisa ser implantada com planejamento, profissionais capacitados e protocolos claros de atendimento.

A principal preocupação apresentada pelos médicos está relacionada à dificuldade de realizar uma avaliação completa à distância. Durante uma consulta presencial, o profissional consegue observar sinais clínicos, realizar exames físicos e verificar informações que podem ser fundamentais para identificar doenças mais sérias. No atendimento remoto, algumas dessas avaliações ficam limitadas, o que pode aumentar o risco de um caso grave ser classificado como simples.  A diretoria do Simego ressaltou que a telemedicina não deve substituir completamente o atendimento presencial, mas funcionar como uma ferramenta complementar dentro da rede de saúde. Para a entidade, o sucesso do modelo dependerá da forma como o serviço será organizado, do tempo de resposta aos pacientes e da preparação dos médicos responsáveis pelos atendimentos.

A Prefeitura de Goiânia pretende utilizar a tecnologia para atender principalmente pacientes que procuram as UPAs sem necessidade de atendimento emergencial. Dados apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde indicam que uma grande parte dos atendimentos realizados nas unidades corresponde a casos de baixa complexidade, que poderiam ser resolvidos por outros meios de assistência.

De acordo com a proposta municipal, o serviço poderá realizar dezenas de milhares de atendimentos por mês, ajudando a reduzir a movimentação nas unidades de urgência e oferecendo mais comodidade aos pacientes que não precisam se deslocar até uma UPA.

Apesar de reconhecer os benefícios da inovação, o Simego defende que a implantação seja acompanhada de fiscalização e avaliação contínua. Para a entidade, é necessário garantir que a busca por reduzir filas não comprometa a qualidade da assistência médica nem coloque em risco pacientes que precisam de atendimento imediato.  A discussão sobre o uso da telemedicina em Goiânia representa um desafio presente em vários sistemas de saúde: equilibrar o uso da tecnologia com a necessidade de manter um atendimento seguro, humanizado e eficiente. Com critérios bem definidos, a ferramenta pode contribuir para melhorar o funcionamento da rede pública, desde que seja utilizada de maneira responsável.

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