

Flávio Dino dá despacho blindando chefe de sindicato ligado a irmão de Lula
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, concedeu um habeas corpus que permite ao presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), Milton Cavalo, permanecer em silêncio durante seu depoimento na CPMI do INSS, nesta quinta-feira (9).
A decisão, segundo o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), reforça o que ele chamou de “esquema de blindagem” envolvendo advogados e figuras influentes de Brasília. “Estamos novamente de mãos amarradas por conta de uma decisão do STF, que é no mínimo estranha”, afirmou o parlamentar.
O despacho de Dino segue precedentes de decisões anteriores que garantem o direito ao silêncio a investigados. Assim, Milton Cavalo não é obrigado nem mesmo a prestar juramento de dizer a verdade durante o depoimento.
Operação Sem Desconto: 66 mandados em sete estados
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram uma nova fase da Operação Sem Desconto na manhã desta quinta-feira (9), cumprindo 66 mandados de busca e apreensão em sete estados e no Distrito Federal.
As ações foram autorizadas pelo STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, e tiveram como foco a sede do Sindnapi, a Cooperativa de Crédito dos Aposentados e Pensionistas (Coopernapi) — vinculada ao sindicato — e o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região (Sindmetal), onde Cavalo também atua como diretor.
Movimentações suspeitas e repasses milionários
Segundo relatórios de inteligência financeira (RIFs) enviados à CPMI, o Sindnapi movimentou R$ 1,2 bilhão entre janeiro de 2019 e junho de 2025, sendo R$ 586 milhões em créditos e R$ 613,9 milhões em débitos. Há ainda registros de operações em dinheiro vivo realizadas na Coopernapi, que funcionava dentro do prédio do sindicato, em São Paulo.
Os documentos também apontam que o Sindnapi pagou ao menos R$ 8,2 milhões a empresas ligadas a familiares de dirigentes da entidade, incluindo o próprio Milton Cavalo e o ex-presidente João Batista Inocentini, falecido em 2023.
Durante o período da chamada “Farra do INSS”, ambos os dirigentes apresentaram expressivo aumento patrimonial. A família de Inocentini, por exemplo, construiu uma mansão de 519 m² com piscina e lago artificial em Jarinu (SP). Já Cavalo ergueu uma casa de 360 m² em seu sítio em Atibaia (SP).
Contexto político e impacto
O caso repercute no meio político por envolver nomes ligados ao entorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já que o irmão de Lula teria histórico de atuação sindical relacionada ao mesmo grupo.
O habeas corpus concedido por Flávio Dino reacende o debate sobre a atuação do STF em investigações de corrupção e uso de recursos previdenciários, especialmente em casos que envolvem instituições de interesse público e figuras politicamente conectadas.
Enquanto a CPMI tenta avançar na apuração dos descontos indevidos em benefícios do INSS, a decisão do Supremo pode atrasar novas deliberações e enfraquecer o ritmo das investigações.
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