
Revendedores de rações contaminadas, imputadas à morte de 284 cavalos em todo o país, denunciam que a empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda., sediada em Itumbiara (GO), ainda não retirou os produtos dos estoques nem ofereceu suporte aos pontos de venda. As acusações foram pautadas em reportagem divulgada nesta segunda-feira (1º) pelo jornal Estadão.
Falta de recolhimento e ausência de apoio
Segundo um ofício emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), datado de 26 de junho, os revendedores devem buscar o contato direto com o fabricante para devolver os lotes contaminados. O processo deve respeitar o Código de Defesa do Consumidor e a legislação civil vigente. Apesar da notificação, comerciantes afirmam que a empresa não tomou nenhuma providência efetiva e permanece inerte, sem apoio técnico ou logístico aos pontos de venda.
Escalada da crise sanitária
As investigações começaram em maio, após denúncias de mortes de cavalos associadas à ração da Nutratta. Em junho, análises laboratoriais confirmaram a presença de monocrotalina, substância tóxica e proibida para equídeos. O Mapa confirmou que 284 cavalos faleceram após consumirem a ração contaminada.
Como medida cautelar, a produção da empresa foi suspensa totalmente — inicialmente apenas para rações de equídeos, e posteriormente estendida a todas as espécies animais — até que a Nutratta comprove a correção das falhas apontadas pela fiscalização.
Revendedores sob pressão e sem respaldo
Produtores e comerciantes relatam prejuízos significativos e falta de assistência. Um exemplo é o caso de Minas Gerais: a revendedora Marinês Oliveira, que acumulou mais de 50 sacos no estoque, afirma ter feito o recolhimento por conta própria e até oferecido apoio veterinário emergencial aos criadores afetados, sem qualquer ajuda da fabricante. No Espírito Santo, representantes da empresa também se declararam abandonados, com boletos em aberto e sem perspectivas de reembolso.
Em São Paulo, revendedores relatam mortes de animais valiosos e pressão extrema. Um criador perdeu 10 cavalos e estima prejuízos superiores a R$ 500 mil, enquanto teve que lidar com falta de apoio da empresa, que ignorou seus pedidos de resposta.
A pressão agora recai sobre a Nutratta para devolver os lotes contaminados, prestar suporte técnico e esclarecer os consumidores. Enquanto isso, revendedores e criadores continuam sofrendo prejuízos materiais e emocionais, com um sistema de recall ineficaz e respostas aquém do esperado.
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