
Postura inadequada ao utilizar o celular pode causar dores, desgaste na coluna cervical e até a chamada “Síndrome do Pescoço de Texto”
O hábito de inclinar a cabeça repetidamente para olhar o celular, presente no cotidiano de grande parte da população, pode estar causando mais danos do que se imagina. De acordo com especialistas, essa posição errada pode gerar uma pressão de até 27 quilos sobre a região cervical — o equivalente ao peso de uma criança de oito anos — e está associada ao aumento significativo de dores no pescoço.
Segundo um estudo realizado pelo National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos, o uso prolongado de smartphones é o principal fator de risco para o surgimento da chamada “Síndrome do Pescoço de Texto”, problema postural cada vez mais comum em tempos de hiperconectividade. A pesquisa, que analisou mais de 43 mil pessoas em 13 países, também apontou que permanecer sentado por mais de seis horas por dia eleva em 88% a probabilidade de desenvolver esse tipo de dor, enquanto o uso frequente de computadores aumenta o risco em 23%.
O ortopedista Thiago Brustolini, da rede Hapvida, explica que a estrutura cervical é projetada para sustentar a cabeça em posição neutra. “Quando a cabeça se inclina muito para frente, o peso exercido sobre o pescoço aumenta drasticamente. Se essa postura é mantida por longos períodos, músculos e articulações da região ficam sobrecarregados, o que pode causar dor, inflamações e até desgaste articular”, explica.
Como identificar os sinais do problema?
Desconforto na nuca, rigidez no pescoço, dor nos ombros, dor de cabeça e formigamento nos braços estão entre os sintomas mais comuns associados à má postura durante o uso de dispositivos eletrônicos. De acordo com o especialista, a persistência desses sintomas é um sinal de que o uso do celular ou computador pode estar afetando diretamente a saúde da coluna.
Além das dores físicas, o problema pode impactar a qualidade de vida, dificultando ações simples do dia a dia, como dormir, trabalhar, dirigir ou praticar atividades físicas. Em muitos casos, uma avaliação clínica com base nos hábitos e na postura do paciente já é suficiente para identificar o quadro.
Cuidados e prevenção são essenciais
A boa notícia é que a Síndrome do Pescoço de Texto pode ser evitada com atitudes simples. Entre as principais recomendações estão:
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Manter o celular na altura dos olhos para evitar inclinar a cabeça;
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Fazer pausas a cada 30 ou 40 minutos de uso;
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Realizar alongamentos frequentes para o pescoço e ombros;
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Sentar-se com postura adequada: costas apoiadas e pés no chão;
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Evitar usar o celular deitado na cama ou em sofás sem apoio adequado.
Para quem já apresenta sintomas, procurar um profissional é o primeiro passo. A fisioterapia, por exemplo, é altamente eficaz no tratamento, com exercícios voltados ao fortalecimento muscular, correção postural e alívio da dor. O uso de suportes ergonômicos para celulares e computadores também pode ajudar a reduzir a inclinação da cabeça.
Adolescentes e trabalhadores em home office merecem atenção
Entre os grupos mais afetados pela Síndrome do Pescoço de Texto estão os adolescentes, que passam muitas horas conectados, muitas vezes sem se atentar à postura. Trabalhadores em regime de home office também estão em risco, especialmente quando utilizam móveis inadequados, como sofás ou camas, como estações de trabalho improvisadas.
“É fundamental incluir hábitos saudáveis na rotina, como pausas regulares, cuidado com a ergonomia e fortalecimento muscular. A tecnologia pode ser uma aliada, mas deve ser usada com consciência para não comprometer a saúde”, conclui o Dr. Thiago Brustolini.
Fonte – Assessoria
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