Idosa diz ter sido usada como “laranja” em associação investigada por fraude no INSS

Idosa diz ter sido usada como “laranja” em associação investigada por fraude no INSS

 

Uma idosa de 72 anos, moradora da periferia de Fortaleza (CE), afirma ter sido enganada e usada como “laranja” em um suposto esquema de fraude envolvendo descontos indevidos nas aposentadorias de milhares de beneficiários do INSS. O caso ganhou repercussão nacional após vir à tona durante as investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), que estimam prejuízos de até R$ 6 bilhões aos cofres públicos.

 

Formalmente, Francisca da Silva de Souza aparece como presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen), uma das cerca de 30 entidades sob suspeita de realizar descontos mensais não autorizados nas aposentadorias de mais de 490 mil segurados do INSS.

 

Entretanto, a aposentada — analfabeta, viúva e pensionista — nega qualquer envolvimento com a gestão da associação. Segundo ela, sua inclusão como presidente teria ocorrido após assinar documentos que acreditava estarem relacionados a um empréstimo.

 

A situação levou a Defensoria Pública do Estado do Ceará a ingressar com uma ação na Justiça estadual, pedindo a retirada de Francisca da presidência da Aapen. A instituição defende que ela foi vítima de uma fraude e está sendo indevidamente responsabilizada pelas irregularidades cometidas pela associação.

 

Assinou papéis sem entender o conteúdo

De acordo com a ação judicial, em 2023, Francisca foi abordada por uma mulher identificada como Liduína, que lhe prometeu auxílio para obter um empréstimo. Durante o processo, a idosa assinou diversos documentos apresentados por supostos advogados — e, sem saber, teria sido nomeada dirigente da entidade.

 

Desde então, passou a receber notificações judiciais e cartas de cobrança relacionadas à Aapen. Ao todo, já responde a mais de 200 processos na Justiça. Áudios e mensagens anexadas ao processo demonstram sua tentativa de buscar esclarecimentos com os mesmos advogados, nos quais ela expressa preocupação com os impactos dessa situação em sua vida pessoal e financeira.

 

Envolvimento de investigados

A Aapen já foi presidida anteriormente pela advogada Cecilia Rodrigues da Mota, apontada como uma das investigadas na Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF para apurar fraudes em descontos associativos. Segundo a investigação, Cecilia também liderou outra entidade suspeita e teria canalizado recursos para empresas ligadas a familiares de servidores públicos.

 

Relatórios da Polícia Federal já haviam levantado a suspeita de que diversas associações utilizavam “laranjas” para encobrir os verdadeiros responsáveis pelos esquemas. Francisca foi uma das pessoas citadas pela PF nesse contexto.

 

CPI no Congresso

O escândalo gerou forte reação no Congresso Nacional, que instalou uma CPI Mista da Fraude no INSS para investigar os casos de descontos indevidos. De acordo com a Polícia Federal, atualmente há 13 inquéritos em andamento, em estados como São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Sergipe e Distrito Federal.

 

As investigações já resultaram na apreensão de R$ 176,7 milhões em bens e bloqueios de contas bancárias. Dois suspeitos encontram-se presos preventivamente.

 

Enquanto isso, a defesa de Francisca busca na Justiça não apenas sua exclusão da presidência da associação, como também o reconhecimento de sua condição de vítima de um esquema maior, que se aproveita da desinformação e vulnerabilidade de aposentados para operar práticas ilegais.

 

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