Estudo Revela Presença de Vírus da Gripe Aviária no Ar e na Água de Fazendas nos EUA

Estudo revela presença de vírus da gripe aviária no ar e na água de fazendas nos EUA

Uma nova pesquisa realizada por cientistas de cinco universidades dos Estados Unidos identificou a presença do vírus H5N1, causador da gripe aviária, em partículas do ar e em fontes de água de fazendas de gado leiteiro que enfrentaram surtos da doença em 2024. A descoberta sugere que o vírus pode se espalhar não apenas pelo contato direto com fluidos contaminados, como leite, mas também por vias aéreas e pelo ambiente compartilhado.

O levantamento foi liderado pela Universidade Emory e contou com apoio de instituições da Califórnia, Colorado, Michigan e Virgínia. Os cientistas analisaram 14 fazendas em duas regiões da Califórnia. Os resultados foram divulgados no repositório científico bioRxiv, ainda em fase de pré-publicação (sem revisão por pares).

Vírus ativo no ambiente

De acordo com os pesquisadores, o vírus foi encontrado em aerossóis respiratórios dentro das salas de ordenha, além de estar presente em amostras de água utilizadas na limpeza dos equipamentos e em lagoas de esterco — locais onde há presença frequente de aves migratórias, o que aumenta o risco de disseminação do vírus para outras regiões e espécies.

Entre as amostras coletadas, duas apresentaram carga viral infecciosa. Isso levanta preocupações sobre o potencial de transmissão do vírus entre bovinos, humanos e outros animais próximos, especialmente por meio de respingos de leite, partículas no ar e água contaminada.

Alerta sobre novas formas de contágio

A presença do vírus em diferentes áreas da mesma propriedade mostra que ele pode se espalhar de forma multifatorial. Esse cenário representa um desafio para as medidas tradicionais de controle da doença, principalmente com a chegada do outono no hemisfério norte, período mais propício à proliferação de vírus respiratórios.

Além disso, os testes em vacas assintomáticas revelaram casos de infecção subclínica, o que evidencia a necessidade de incluir animais sem sintomas visíveis nas estratégias de prevenção — que hoje dependem, majoritariamente, da observação de sinais clínicos.

Casos seguem em 2025

Desde o início do surto em 2024, mais de mil surtos foram registrados pelo Departamento de Agricultura dos EUA, em pelo menos 17 estados. A Califórnia lidera com 771 ocorrências. O caso mais recente foi confirmado no final de julho de 2025.

Os cientistas alertam que a permanência do vírus no ambiente pode manter a cadeia de transmissão ativa, afetando tanto os animais quanto os trabalhadores das fazendas. As diferentes variantes do vírus encontradas nas propriedades também sugerem que a propagação pode ocorrer de forma regionalizada, com dinâmicas locais distintas.

Reforço nas medidas de segurança

A equipe científica recomenda o uso obrigatório de equipamentos de proteção respiratória e ocular pelos trabalhadores rurais, além da desinfecção frequente de equipamentos de ordenha e áreas de descarte de resíduos. Outro ponto importante é o tratamento do leite e das águas residuais para impedir que o vírus permaneça ativo no ambiente.

A gripe aviária é uma doença viral altamente contagiosa, que afeta principalmente aves, mas também pode contaminar humanos e mamíferos. A transmissão entre pessoas ainda não foi registrada, mas casos em humanos estão ligados à exposição direta a animais infectados ou materiais contaminados.

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